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sexta-feira, 20 de julho de 2012

BALANÇANDO OS BRAÇOS !!!


Em uma das últimas edições do Fantástico na TV no fim do ano passado, a neurocientista Suzana Herculano-Houzel ensinou à chamar um garçom. Segundo ela é preciso levantar e balançar fortemente os braços para que um garçom te veja. Ainda bem que ela não é da área, por isso a besteira é permitida.


Faça o seguinte, se for num restaurante que você precise “balançar fortemente os braços” para ser atendido, não volte lá nunca mais.

A função de um bom garçom é ser atento ao menor gesto seu. Ele tem obrigação de saber o quanto é chato ficar com a mão levantada. Para quem acha que é preciso plantar bananeira para chamar um garçom, aqui vão algumas coisas básicas que um restaurante deve seguir:

São pequenos detalhes, fáceis de gerenciar e que podem causar o maior problema se não forem adotados.

1. Pontualidade. Os restaurantes devem abrir e fechar no horário em que dizem que irão fazê-lo. Acontece muito de restaurante que abre as portas sem estar preparado. Você entra e encontra lá dentro garçons sem uniforme, pessoas arrumando mesas e varrendo o salão. Existem também aqueles restaurantes que fecham antes do combinado porque o salão está vazio, deixando o cliente de última hora, que é tão importante quanto qualquer outro, para fora da casa. Isto acontece em alguns escritórios. Dizem que estão abertos das 8h às 19h sem fechar… Na verdade às 8h está a recepcionista, pois o profissional de atendimento muitas vezes chega depois das 9h, deixando o cliente impaciente esperando… Escritórios ofertam serviços. Hoje uma verdadeira commodities de produtos. Atendimento é um dos diferenciais!

2. Limpeza. Um garçom atento não é apenas aquele que atende os clientes com rapidez. Ele não pode deixar uma mesa suja, com papel, palito, água, restos. Ele deve ter atenção para não atrapalhar o cliente que está atendendo, muito menos as mesas ao lado. Spray não funciona, de preferência, deve-se colocar o líquido num pano limpo e depois passar sobre a mesa. Há ainda aquele garçom que abusa do perfume. Estes odores são ofensivos e podem pôr a perder a qualidade da comida. Um garçom deve ser discreto. Aqui o foco é o mesmo: escritório bem arrumado (sem processos no chão, folhas desorganizadas, mesas com cupim, etc). Mesmo com orçamento reduzido, colocar um quadro na parede, pintar com uma cor diferente, manter a sala apresentável é o mínimo da decência. Lembre-se: Não basta ser, tem que aparentar ser. Mesmo sendo um profissional qualificado, se não aparentar isto em gestos, atitudes, timbre de voz, organização, apresentação, de nada adianta.

3. Mesas e cadeiras. As pessoas não estão dispostas a tentar equilibrar um copo de bebida ou fazer malabarismo pra cortar uma carne enquanto a mesa balança. Todo gerente tem a obrigação de sentar em cada cadeira e mesa do restaurante e certificar-se que estão em ordem. E sem pedaços de papelão ou bolachas de chopp embaixo dos pés dos móveis para acabar com o desnível. Vamos pensar juntos: Se você chega num escritório em que desde a recepção até a mesa do advogado que lhe atende tudo está uma zona, qual o sentimento? Desorganização… Imagina se vou deixar a minha causa com alguém que sequer sabe organizar papel! Assim como no restaurante temos mesas e cadeiras, no escritório temos a estrutura. Manter a organização é fundamental, principalmente na era do processo virtual e do “paper less” ou seja, sem papel, tudo virtual.

4. O garçom é um vendedor. Quando vamos a uma concessionária comprar um carro temos a impressão que o vendedor é um piloto de fórmula 1. Ele consegue falar com a maior empolgação sobre como são especiais as velas e sistema de embreagem daquele carro. Ele tem obrigação de saber. Uma equipe de garçons deve ser assim. Deve saber exatamente como são preparados os pratos.

A frase “Vou perguntar ao Chef” é lamentável.

Da mesma maneira quando os clientes perguntam “O que é melhor” e o garçom responde “tudo é bom”, significa que ele não come no restaurante. Então, por que o cliente deveria fazê-lo?

Os clientes esperam sinceramente por um conselho da equipe que deveria conhecer os pratos e que esta experiência seja passada a eles. Todos dentro do escritório são vendedores. Não de vender ações, posto que isto é uma infração ética. Mas, de vender a idéia do escritório, organização, estrutura, visão, metodologia, cordialidade. Isto demonstra ao cliente com quem ele está lidando. Se o advogado lhe entender perfeitamente, a estrutura tudo jóia, mas ao chegar na recepção a recepcionista e o boy estão debatendo acaloradamente sobre o último paredão do BBB, tudo foi posto a perder. Todos são importantes na estrutura. Todos são a representação do escritório, em última palavra.

5. Equipe. Garçons, auxiliares e gerentes desatentos podem enterrar uma experiência que poderia ser espetacular. Muitos restaurantes trabalham com “praças”, onde cada garçom é responsável por um determinado número de mesas.

Isto é uma maneira prática de coordenar o atendimento, mas não quer dizer que se o cliente de uma praça chamar o garçom de outra praça ele não deve atendê-lo. Isto é mais comum do que se pensa - garçons que não se preocupam com o atendimento do restaurante ficam presos às suas seis mesas. Acontece bastante em escritórios. Alguns profissionais pensam que o que realmente é importante é a sua tarefa: “Ah! Eu faço prazos. Isto é que faz este escritório crescer”. E a cordialidade do atendimento da telefonista e da recepcionista? E o estagiário que leva os prazos dentro do prazo? Todas as tarefas devem ser feitas em sintonia para que haja sincronismo e organização. Então a regra é: Somos um só!

6. Restaurante é lugar de trabalho. O que nos incomoda muito é o amadorismo do setor. Não é de se assustar quando vemos o dono de um bar ou restaurante aos berros com algum funcionário na frente de todos. Isso é constrangedor paro funcionário e paro cliente, que não está pagando pela baixaria. É comum também ouvir queixas do garçom sobre o patrão, sobre a empresa. Lembre-se: um cliente não vai ao restaurante para fazer terapia. Faça um teste e pergunte a eles se gostam de trabalhar ali. Esteja disposto, pois eles vão lhe contar todos os seus problemas. Quantas vezes ao estar em escritórios ouvimos isto na recepção, no telefone, até mesmo no atendimento pelo funcionário do escritório. O time tem que estar integrado, unido ao escopo do escritório. Quem está insatisfeito que procure o seu caminho, afinal a própria Constituição Federal prevê que ninguém pode ficar associado sem vontade. Agora, está no time, faça tudo pelo time.

7. Reposição. Quando vamos comer numa churrascaria, não ficamos levantando a mão para pedir carne. A reposição é automática, algumas tão rápidas que parecem querer nos apressar. Quando o restaurante oferece a possibilidade de repor o produto, deve-se estar certo de que esta reposição chegará até a mesa continuamente. É obrigação de todos fazê-la. A proximidade da equipe sempre funciona. É desgastante ter que solicitar reposição toda hora. Se o cliente pediu uma informação, dê a informação. Jamais minta ou tente enganá-lo. A verdade é sempre melhor. Se ele ligou e não pode atende-lo, ligue de volta. São gestos de cordialidade e preocupação com a pessoa do cliente que fazem a diferença no atendimento.

8. Site. Está na moda ter site. O dono do restaurante paga uma mixaria para o sobrinho que desenvolve uma logomarca e cria seu site. O conteúdo nunca é atualizado. O cliente entra, vê os pratos, vê os preços e na hora de pedir o prato, ele não existe ou o preço dobrou. Ter um site não é pagar para o sobrinho. É atualizá-lo sempre. Como digo nas minhas palestras: Se você não tem site, tenha um site; se não quer um site, tenha um site; se nunca pensou em ter um site, tenha um site. A regra é: esteja no mundo virtual. Claro, de nada adianta uma página feita pelo sobrinho. Se estamos no mercado como profissionais, nossa relação com o cliente tem que ser profissional.

9. Telefone. O cliente não tem que esperar no telefone por informações básicas. Qualquer responsável por atender o telefone deve saber na ponta da língua essas informações. Não oferecer as informações básicas sobre sua casa é mandar o cliente para o concorrenteTreinamento. Treinar a recepcionista, a telefonista. Treinar a equipe. Isto é que traz resultados positivos em prol do objetivo do escritório. Uma telefonista que não sabe como atender, anotar recados, dar informações básicas de localização, telefone, site e e-mail do escritório não é sustentável.

10. Conta. Você oferece uma comida primorosa, o serviço é espetacular, e aí, tudo vai por água abaixo. Porque a conta demora tanto a ser fechada? É lógico que não se deve apressar os clientes, mas, ao mesmo tempo, o serviço não está completo até o momento em que o cliente deixa o restaurante. Muitas casas parecem imaginar que, uma vez servido o prato principal, sua obrigação acabou. Nada pode estar mais longe da realidade do que isto. O pagamento dos honorários é fundamental, mas não é a única relação com o cliente. Em tempos de crise, parcele, negocie, converse. É ajudando que serás ajudado, desde o tempo de Cristo é assim.

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